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O que é a Bitcoin

A Bitcoin é muitas vezes descrita como sendo uma criptomoeda descentralizada e/ou como um sistema de pagamento peer-to-peer. Apesar de serem descrições corretas, deixam algo a desejar para quem não está por dentro do assunto ou para quem não conhece estes termos na totalidade.

O que quer dizer então “criptomoeda”, “descentralizada” ou “peer-to-peer”? Estas expressões por vezes parecem alcunhas que são jogadas sem qualquer significado específico. No entanto, estes termos são precisos e vamos explicá-los individualmente.

Sistema de Pagamento e Unidade Monetária

Bitcoin é um sistema de pagamento eletrónico, ou seja, não existe em formato físico. Outros exemplos de sistemas de pagamentos eletrónicos são o PayPal, VISA e Skrill. No entanto, a Bitcoin tem várias componentes que a tornam muito diferente destes exemplos.

Vamos então começar com a moeda em si. Nestes sistemas, PayPal e restantes, as unidades monetárias utilizadas são sempre as moedas nacionais como o USD, EUR, CNY e outras. No sistema de pagamento Bitcoin, a unidade monetária é a bitcoin ou BTC. Ou seja, o Bitcoin é um sistema de pagamento com a sua própria unidade monetária. Tal como as outras moedas, a Bitcoin tem um valor que varia diariamente.

Neste sistema de pagamento não existe nenhum processo de verificação, qualquer pessoa pode criar uma conta. Basta fazer download do software e criar uma carteira. Esta carteira é composta de uma chave pública, que funciona como o seu NIB, e uma chave privada, que funciona como o seu PIN. Este processo é completamente pseudónimo pois não são revelados nenhuns dados pessoais. A sua chave pública é algo como: 3NA8hsjfdgVkmmVS9moHmkZsVCoLxUkvvv. Este é um dos elementos criptográficos da Bitcoin e uma das razões porque é chamada criptomoeda.

Descentralizada

A outra grande diferença entre estes sistemas de pagamento e o sistema Bitcoin é a descentralização. Nestes sistemas, como o VISA por exemplo, as transações são iniciadas pelo cliente/utilizador mas são processadas por servidores centrais que são controlados por uma única entidade. Isto quer dizer que a transferência de valor dentro destes sistemas é condicionada. Uma transação no PayPal pode, por exemplo, ser bloqueada, revertida, etc.

No sistema Bitcoin, o modelo é descentralizado ou peer-to-peer. Isto quer dizer que as transações não são processadas por uma entidade, mas sim por uma rede coletiva de computadores que revê todas as transações e que as processa em conformidade. Estes computadores são chamados de nódulos (nodes) e são geridos por pessoas normais como você e eu. Um nódulo pode ser um minerador que tenta ganhar novos Bitcoins (explicado mais à frente) ou apenas uma pessoa que utiliza a Bitcoin para fazer transações, porque os utilizadores têm de ter uma cópia da blockchain para poderem fazer uma transação correta.

Todos os nódulos concordam com as transações feitas (se forem válidas) e nenhum deles tem a autoridade de reverter ou censurar uma transação específica.

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Aqui definimos a principal diferença entre a Bitcoin e qualquer outro sistema de pagamento. A Bitcoin é completamente livre e não é censurável por ninguém. Mas como funciona este processo? Nos sistemas centralizados existe uma base de dados onde as contas, saldos e transferências são registadas. Aqui, o processo é simples pois basta a base de dados ter um registo das transações para que elas sejam consideradas válidas.  Nos sistemas centralizado o utilizador tem de confiar na entidade que gere esta base de dados mas no caso da Bitcoin não existe necessidade de esse elemento de confiança.

Na Bitcoin existe também uma espécie de base de dados, como que um registo público de todas as contas, transações e saldos. Este registo público é chamado de Blockchain (cadeia de blocos). Todos os nódulos que processam as transações mantêm uma cópia da blockchain da Bitcoin. Como tal, todos os nódulos têm a confirmação que a sua cópia está correta (confirmada pelos outros nódulos) e todas as pessoas envolvidas podem verificar as transações sem qualquer tipo de restrição. Pessoas que estejam fora da rede podem também ver a blockchain através de um explorador ou block explorer.

Temos então a definição de descentralização no sistema de pagamento Bitcoin. Este é um fator crucial na revolução financeira que é a moeda Bitcoin. Não temos de confiar em ninguém, ninguém nos pode censurar nem reverter as transações porque estamos em controlo total do nosso dinheiro, algo que só acontece com a Bitcoin e com o dinheiro físico (notas e moedas) de uma moeda nacional.

Bitcoin vs Fiat

No entanto existem outras diferenças significativas entre a Bitcoin como unidade monetária e qualquer outra moeda nacional, como o dólar ou euro.

Vamos então definir as grandes diferenças entre a Bitcoin e uma moeda nacional. As moedas nacionais, chamadas também de fiat, são emitidas pelos bancos centrais (como por exemplo a Reserva Federal nos E.U.A). Estas são emitidas sem qualquer tipo de restrição e têm apenas valor porque são “patrocinadas” pelos governos. No entanto, as moedas fiat não têm nenhum valor intrínseco e não representam qualquer outro tipo de bem. Apesar de haver uma ideia popular que as notas e moedas representam ouro que está guardado pelo governo num cofre, na verdade o dinheiro nacional não tem qualquer tipo de apoio, e é apenas tão forte quanto a economia do país.

Tendo em conta que a moeda nacional é emitida sem qualquer tipo de apoio ou restrição, o aumento do dinheiro em circulação sem um crescimento económico do país faz com que a moeda passe cada vez a valer menos. A isto chamamos inflação. Muitas pessoas têm a ideia de que com o passar do tempo os bens e serviços têm vindo a ficar mais caros mas, na verdade, o dinheiro é que têm vindo a valer cada vez menos.

Este é um problema comum a todas as moedas nacionais fiat, e pode ser observado claramente em países como a Venezuela e outros, onde as pessoas acabam por pesar o dinheiro em vez de o contar.

Como é então a Bitcoin emitida? Muitas vezes as pessoas estranham o processo de emissão da Bitcoin, dizendo que ela “aparece do nada” ou “do ar”. No entanto, isto não podia estar mais longe da verdade. Na realidade, os euros que tem no bolso é que “apareceram do nada” e não passam de pedaços de papel com alguns desenhos e carimbos oficiais. A Bitcoin no entanto, tem um sistema de emissão perfeito que, ao contrário das moedas nacionais, tende a aumentar o poder de compra do indivíduo.

O processo de emissão da Bitcoin é chamado de mining, ou mineração, devido à sua semelhança com certos metais preciosos que também são minados.

O ouro, por exemplo, é valioso porque é escasso e finito. Existe uma quantidade limitada de ouro que tem de ser minado (através do esforço dos trabalhadores, etc) para que possa ser utilizável. Isto faz com que o ouro tenha valor porque é necessário esforço ou trabalho para o adquirir. O ouro, ao contrário do dinheiro fiat, tem valor intrínseco e não é inflacionável.

O processo de emissão da Bitcoin é muito parecido com o do ouro mas num ambiente digital. A bitcoin é finita, não podendo ultrapassar os 21 milhões de unidades. Este número nunca vai mudar e por isso podemos contar com uma taxa de emissão previsível. De dez em dez minutos um novo bloco é minado. Os blocos fazem parte da cadeia de blocos que referimos anteriormente, a blockchain. Cada um destes blocos contém informação relativa às transações feitas na altura em que ele foi minado. Quando um bloco é então minado, o minerador está a processar as transações feitas e estas são verificadas por todos os nódulos acrescentadas ao registo público, a blockchain.

Sendo assim, este método é superior a qualquer um, até ao do ouro, pois o mesmo trabalho, neste caso computacional, que é usado para minar novas Bitcoins é também usado para processar as transações. Na Bitcoin, quando alguém faz uma transação, essa pessoa tem de pagar uma taxa de transferência. Esta taxa é paga ao minerador que conseguir minar o bloco em que a transação em causa esta incluída.

Criptomoeda

Mas como funciona este processo? Qualquer pessoa pode ser um minerador? Mais ou menos. É também devido a este processo que a Bitcoin é cunhada de “criptomoeda”, devido ao elemento criptográfico que está envolvido na mineração de Bitcoin. Para minerar Bitcoin, os mineradores contribuem com o seu poder computacional. Esse poder deriva do CPU (processador), GPU (processador da placa gráfica), ou de máquinas especializadas para resolver este algoritmo criptográfico, os ASIC.

O poder computacional é então usado para fazer cálculos que são completamente inúteis noutro contexto. A este processo é chamado Proof-of-Work (prova de trabalho), pois o minerador tem de contribuir com trabalho computacional para poder minerar Bitcoin. A quantidade de trabalho computacional está diretamente relacionada com a qualidade do processador usado. Por exemplo, um processador velho como um pentium 4 vai ter muito menos potência que um processador i7. A medida usada para qualificar o poder computacional na rede Bitcoin é o “hash” por segundo, h/s.

Mas porque é que é preciso estar a utilizar poder computacional? Esta é uma medida anti-sybil e faz com que não seja possível a uma única pessoa ligar 50 computadores velhos para minar quantidades desproporcionais de Bitcoin. Assim, alguém que queira minar mais Bitcoins tem de investir em material informático e em electricidade para poder minar, fazendo com que todas as pessoas tenham o mesmo peso na rede. Este processo é importante para assegurar a descentralização da Bitcoin. Se uma pessoa tiver um controlo desproporcional sobre a rede, essa pessoa pode controlar a Bitcoin e decidir que transações mudar. Este processo que requer potência computacional faz com que seja impossível uma entidade atacar a rede.

Tendo a Bitcoin um limite de 21 milhões de moedas, por mais computadores ou potência contribuída, o número de Bitcoins emitido globalmente por determinado número de tempo é sempre o mesmo, quer estejam 10h/s ou 1000 h/s de potência computacional a minerar Bitcoin: actualmente 12.5 BTC por cada dez minutos. A única diferença é que a mesma recompensa terá de ser dividida por mais pessoas.

A taxa de emissão da Bitcoin tem uma natureza deflacionária, pois a cada quatro anos a recompensa de emissão da Bitcoin reduz. No ínicio eram 50 BTC, depois 25 BTC, e agora 12.5 BTC. Esta característica faz com que o valor da Bitcoin seja afetado, pois a produção diminui mas a procura continua.

Conclusão

Neste caso, ficamos com um sistema de pagamento totalmente descentralizado em que ninguém dita quais as transações que são válidas. Como não existe uma autoridade central, todos os participantes mantêm um registo público e verificável de todas as transações. Este registo apesar de público é pseudónimo pois não revela informação pessoal. Este sistema tem a sua unidade monetária que é global e com uma taxa de emissão previsível e deflacionária. Uma moeda que é de todos e não de governo ou bancos.


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