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Jornal de Wall Street: É um Exagero Associar Bitcoin como o Dinheiro dos Terroristas

No relatório matinal de risco, o jornal Wall Street declarou que as agências policiais e organizações do mundo financeiro, que descrevem a bitcoin como uma ferramenta de terrorismo, estão a exagerar.

Desde o início de 2016 que agências governamentais e policiais, como o FBI e a Europol, descrevem a bitcoin como uma ferramenta de financiamento do terrorismo, devido sobretudo à criptomoeda ser usada para fazer transações ilegais na deepweb. No entanto, essas agências foram duramente criticadas por enganar o público: o dinheiro fiduciário ou FIAT, o sistema monetário que serve de base ao ecossistema financeiro global, representa quase 97% de todas as atividades criminais devido ao seu anonimato completo.

Analistas e apoiantes da bitcoin expressaram suas preocupações sobre esta correlação entre a bitcoin e atividades criminosas. A bitcoin não só não é completamente anónima, qualquer pessoa pode rastrear o fluxo de transações na blockchain, como já tem havido casos de criminosos a serem apanhados devido a transferências rastreadas na blockchain.

Outro factor a ter em conta é que a tecnologia tem sempre o potencial de ser usada para fins menos dignos, e a bitcoin não é excepção. Se o governo proibísse qualquer tipo de tecnologia que os criminosos pudessem utilizar, não estariam neste preciso momento a ler este artigo na internet.

Segundo uma análise do Reader Supported News, desde 2002 que houve um aumento de 6500% em ataques terroristas! O que é ainda mais irônico é que este aumento ocorre após um dos maiores ataques terroristas do século, o 11 de Setembro. Porque é que isto é importante referir? Porque após esta data foram aprovadas leis no congresso Norte Americano, que permitem a agências de segurança, como a NSA, espiar pessoas de qualquer canto do mundo. Não só nossa privacidade morreu, como também a “guerra” contra o terrorismo recebeu trilhões de dólares em financiamento, e, como podemos ver pelos números, parece ter tido um efeito inverso ao intencionado.

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Terrorismo Financeiro: Bitcoin vs. Bancos convencionais

A arquitetura descentralizada da bitcoin implica que todos dentro da rede têm igual autoridade, o que por sua vez impede a exploração ou manipulação de fundos, práticas regulares no sistema bancário tradicional. Nos últimos anos temos visto bancos serem expostos por operações fraudulentas, que levaram a centenas de bilhões de dólares em perdas. Na verdade, foi revelado na semana passada pela Bloomberg que os maiores bancos do mundo foram multados US $ 321 bilhões no total desde a crise financeira de 2008. Tendo apenas este número em consideração, não é muito coerente por parte das agências governamentais considerar a bitcoin como o dinheiro dos criminosos ou terroristas, quando seus parceiros mais confiáveis, o sistema bancário, têm iludido o público por décadas antes de serem multados bilhões de dólares por suas ações.