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Bitcoin Atinge Recorde de Volume P2P na Venezuela

Venezuela atingiu novamente o recorde de volume peer-to-peer, de acordo com a Coin.Dance. Durante a semana passada, mais de 735 Bitcoins (~35 Milhões VEF) trocaram de mãos no mercado BTC/VEF no mercado de câmbio popular, LocalBitcoins.

De acordo com o mercado de câmbio da Venezuela, Surbitcoin.com, o número de utilizadores tem vindo a aumentar nos últimos três anos, de 450 em Agosto 2014 para 85,000 em Novembro 2016.

O interesse crescente por Bitcoin e criptomoedas em geral é devido à depressão econômica do país e à hiperinflação da sua moeda, que é a estimada ser a mais alta do mundo, a 500% e a subir.

Devido às restrições de câmbio no país em que uma taxa de câmbio fixa para a conversão de USD foi introduzida e também uma regra que diz que os dólares só podem ser comprados ao governo, os cidadãos têm dificuldade em importar bens básico que estão muitas vezes em falta no país e não são vendidos por VEF em mais nenhum lado sem ser na Venezuela.

Como tal, a Bitcoin tornou-se numa espécie de rede de segurança para alguns cidadãos que contam com ela para proteger as suas finanças da inflação do país e para interagir com plataformas de comércio online onde podem comprar bens básicos como can buy basic goods like Amazon Prime Pantry e outros, algo que não seria possível sem a Bitcoin.

Relação “amor/ódio” entre a Venezuela e Bitcoin

O legado do falecido presidente Hugo Chávez era maioritariamente centrado na melhoria da qualidade de vida e na oferta de subsídios aos pobres. Esta política fez com que o país gastasse as suas receitas do óleo que, com a ajuda da queda do preço do óleo na altura, causou uma escassez de USD e ajudou a guia a Venezuela ao seu estado financeiro atual.

O presidente atual, Nicolás Maduro prometeu manter este legado económico vivo depois da morte de Chávez e muitos destes subsídios ainda existem, incluindo a eletricidade.

Como tal, a mineração de criptomoedas está a tornar-se cada vez mais popular no país, visto que os custos associados com a prática são pagos pelo governo e não pelo minerador. Apesar de isto parecer o paraíso para qualquer minerador, a mineração de criptomoedas está a tornar-se também cada vez mais perigosa no país.

A Bolivarian National Intelligence Service (SEBIN), a polícia secreta da Venezuela, tem estado a focar a sua atenção nestas operações. Nos últimos meses, vários relatórios de pessoas que foram presas ou extorquidas pela SEBIN têm aparecido na internet.

Em Março de 2016, Joel Padrón e José Perales foram presos por posse de equipamento de mineração “ilegal” e por roubo de eletricidade. A detenção dos mineradores também levou à detenção posterior de um consultante da Surbitcoin, simplemente porque os mineradores usaram esse mercado de câmbio para converter as Bitcoins minadas.

Depois, em Novem, dois irmãos que tinham uma operação de mineração de Bitcoin e cujo as identidades não foram reveladas foram surpreendidos por uma rusga feita pela polícia secreta. Os irmão reportaram que os agentes da SEBIN ordenaram-os a pagar $1000 por cada ASIC.

Em Janeiro deste ano, quatro mineradores de Bitcoin que estavam a operar cerca de 300 máquinas foram presos por “afetar a estabilidade” da rede elétrica do país.

Vemos então que, apesar da Venezuela oferecer subsídios para eletricidade, a mineração de Bitcoins no país é extremamente arriscada e pode tornar-se ilegal eventualmente. Apesar disto, a popularidade da Bitcoin vai certamente continuar a crescer no país como um exemplo perfeito de como uma moeda deflacionária e descentralizada por devolver o poder de contra ao indivíduo.


Fonte (Escrito por António Madeira): http://coremedia.info/blockchain-news/item/736-bitcoin-volume-reaches-all-time-high-in-venezuela