/Charlie Shrem: “Já não tem a ver com a tecnologia, tem a ver com poder”

Charlie Shrem: “Já não tem a ver com a tecnologia, tem a ver com poder”

 

Charlie Shrem, empreendedor e co-fundador da Intellysis, esteve presente no episodio de hoje do programa Double Down, chamado “Does Block Size Matter?” com os habituais apresentadores, Max Keiser e Stacy Herbert.

Durante o episódio, Shrem expressou as suas opiniões relativamente ao debate de scaling ou como a Herbert o chamou “a Grande Guerra do Blocksize de 2017.” Shrem disse (traduzido):

“Na realidade, já não é um debate técnico. Toda a gente de ambos os lados da mesa dizem que a SegWit é a melhor tecnologia que temos.”

De acordo com Shrem, o debate de scaling já não é relativo à tecnologia ou solução mais viável que pode ser usada para melhorar a Bitcoin. Em vez disso, o debate tornou-se numa luta por poder entre duas equipas de desenvolvimento, Bitcoin Unlimited e Bitcoin Core.

“O outro lado do debate, que é Bitcoin Unlimited, eles concordam que a SegWit é uma tecnologia optima” Ele continuou. “Mas para eles não tem a ver com a tecnologia, mas sim com poder”

Shrem disse também:

“Eles querem remove a capacidade [da Bitcoin Core] poder trabalhar na Bitcoin e ter, em vez, um pequeno grupo fechado com quatro ou cinco programadores, que eles acham que são os melhores, a gerir a Bitcoin.”

No entanto, existe um lado positivo nesta situação, que Shrem considera ser extremamente vantajosa para a Bitcoin. O “drama” do tamanho dos blocos está a demonstrar a capacidade da Bitcoin resistir a um ataque malicioso à rede. Ele notou (traduzido):

“Aqui temos um grupo de maus agentes que querem conquistar a rede da Bitcoin e basicamente fazer fork na Bitcoin e forçar todos os utilizadores a usar os programadores deles e o código deles e tudo deles e não é um grupo de mineradores que está a prevenir isto.”

Shrem vê a sinalização dos miners como um “voto de opinião” glorificado no que toca a hard forks, tendo em conta que são os nódulos que validam os blocos e estes podem ignorar os blocos da blockchain que foi forked, o que significa que os mineradores não têm tanto poder como pensam.

Isto pode ser observado na proposta de UASF que contornaria os mineradores por completo e deixaria os nodes forçar a ativação da SegWit.

No entanto, pode não chegar a haver UASF, visto que as mining pools como a F2Pool estão a começar a sinalizar SegWit com base na demanda dos utilizadores que contribuem o seu hash power.

Nem tudo é mau para a Bitcoin, contudo. No meio de tanta tensão e drama, um deve olhar também para o lado positivo que é a razão pela qual estamos a ter este debate: Bitcoin está a crescer a uma velocidade exponensial.

Isto é, como Shrem diz, um “problema de champagne”, um que nos dá tantas razões para celebrar como para discutir.

“É um bom problema para ter. Bitcoin cresceu muito rápido. Nunca esperamos que isto acontecesse tão rapidamente, para ser franco. Nós estamos a aproximar nos do que chamam um ‘problema champagne”, como escalar a Bitcoin?” disse ele.

Isto significa que a Bitcoin não só está a funcionar como suposto, mas também que existe uma grande necessidade desta moeda no mundo. Agora, é apenas uma questão de nos certificarmos que a Bitcoin se pode tornar nessa moeda e manter as suas características descentralizadas e imutáveis.


Fonte (Escrito por António Madeira): bitcoinist.com/charlie-shrem-technology-power/